Não gosto da palavra que já chega arreganhada. Gosto é de procurá-la, perscrutar para entender, revirar a palavra puta, torná-la vadia na minha lábia, na minha pena. As pernas da palavra quem abre sou eu, devagarzinho, gozando em todas as suas entonações, nas possibilidades, na minha língua e pela linguagem.
Mostrando postagens com marcador Sensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sensamentos. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 4 de junho de 2012
domingo, 9 de outubro de 2011
imperativo
Mas ele não impera sobre a ação, o fazer, o fato. Não ordena que se realize, não obriga o objeto à conclusões. O imperativo exige a renúncia, a demora, a espera, o acontecimento sem fatos. E recusa, imperiosamente, o simples da naturalidade. Castra o andamento corriqueiro das sensações e transforma em ultraje o que era sutileza indizível. Parte. O outro. Mas, sobretudo, a quem fica. Resignadamente fica.
do primeiro sono
O que do corpo era envolvido, deixava sobrar o que não era: pernas levemente estiradas, mãos amparando o sono por baixo da cabeça e pés entrecruzados por baixo de nada. Foi só quando a cidade embaralhada acordou e anunciou o fim de mais uma ousadia, é que ela também despertou. Liberdade é não precisar, neste caso e desta vez, de nada para além daquela sórdida invenção.
quem tem cú, tem medo.
Pensando em cú. Isso, o cú. Ele mesmo. O cú é lindo, o cú é o contrário. É o de limpar, o de comer, o de foder, o de ignorar. Tem cú os castos. Tem cú o sádico, a mocinha, o poeta. Tem cú até o diabo. Todo mundo tem cú. Homens e mulheres tem cú. O que une a humanidade é o cú. É o que todos temos em comum. Um cú. Somos cús sociais. Pensando bem, não temos o cú. É o cú que nos tem.
Ele me olha assustado, olhos revirados sobre últimos suspiros, relíquias de entrega. Agonizando a lenta morte, mastigando gestos de dor. Não quero que morra agora, digo-lhe ao pé do ouvido. Quero que sofra. Exijo que lute, que se debata, que não se entregue. Que ele vai morrer eu sei. Que está chegando o momento ele sabe. Então aproveitemos a dor. Enfio um cigarro aceso no buraco de sua barriga retalhada. Ele não geme. Ele só me olha. E isso me enfurece ainda mais.
Assinar:
Postagens (Atom)
